Um recuo que pode custar caro

Estamos diante de um recuo que pode custar caro. A reabertura do comércio em todo o estado de Santa Catarina gerou cenas similares em várias cidades. Ruas abarrotadas de gente e, portanto, alto risco de contágio pelo Covid-19. Por mais que houvesse orientações específicas de higiene, é muito difícil imaginar que haja controle eficiente. Lojas de eletrodomésticos registraram filas imensas para o pagamento de carnês e não havia disposição alguma para evitar a aglomeração.

A imagem desta postagem é do Centro de Tubarão.

Vale lembrar, sobretudo, que essas lojas de eletrodomésticos têm muito mais condição de destinar funcionários a organizar filas com o espaço mínimo de distância entre as pessoas. Não é o caso de pequenos lojistas que reabriram suas portas para defender o próprio sustento e dos seus funcionários.

O governador Carlos Moisés da Silva protagonizou um recuo que pode custar caro. Como muito bem pontuou o colunista do NSC Total Upiara Boschi, seu gesto visou manter a própria autoridade. Se não liberasse a reabertura do comércio, o governador poderia presenciar uma desobediência generalizada. É provável que o setor empresarial promovesse a reabertura na marra.

O mesmo vale para o presidente da República, eleito junto a Moisés. Bolsonaro optou por, acima de tudo, criar narrativa política. Não faz qualquer esforço para administrar a situação. Surpreendentemente – ou não -, prefere o papel de agitador barato que o consagrou em programas como o Superpop.

Quem esperava algo diferente?

Deputados eleitos sob o mesmo partido do governador pretendem derrubar até mesmo as poucas restrições que ainda permanecem de pé. É a política do “quanto pior, melhor”.

Um recuo que pode custar caro

A reabertura do comércio, no entanto, pode ter efeitos desastrosos. O isolamento social é apontado por todos os especialistas como a única arma reconhecidamente eficaz contra a proliferação do coronavírus. Todas as boas histórias de controle da doença, mundo afora, baseiam-se em medidas muito mais rígidas que as adotadas por aqui.

O Brasil não chegou a aplicar em momento algum o que tem sido chamado de lockdown: o bloqueio total de movimentação dentro do território. O próprio ministro da Saúde, no entanto, não descarta a possibilidade de aplicar essa medida drástica no futuro. Depende da evolução dos contágios e a reabertura do comércio não ajuda nas previsões otimistas.

Enquanto o presidente da República tenta transformar um assunto de saúde pública em embate político entre direita e esquerda, vemos as medidas de isolamento serem relaxadas muito antes de iniciarmos o declínio de casos. Uma apreensão geral sobre o futuro que nos aguarda.

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