Um deputado que custa muito caro

Jessé Lopes é um deputado que custa muito caro ao povo de Santa Catarina.

Nesta semana ele fez um grande esforço de divulgação de dados de economia de seu gabinete na Assembleia Legislativa. Ao que parece, busca tratar essas contas como seu grande feito como parlamentar. Ainda que gaste pouco com verba de gabinete e outros custos, ele é um deputado que custa muito caro.

Naturalmente quer limpar a barra perante a opinião pública. Sua postagem recente contra o governador Carlos Moisés rompeu as barreiras da civilidade razoável. Embora não tenha comportamento nada exemplar, conseguiu chocar até mesmo os colegas mais oposicionistas.

Espalhou um boato que até hoje não passa de boato. E nem precisa deixar de ser, pois trata de um suposto assunto da vida privada de três pessoas. Não interessa ao público. Um episódio lamentável do que se convencionou chamar de “nova política”. Rendeu, aliás, um inusitado processo judicial do governador contra um deputado de seu partido. Triste página da nossa história.

O deputado saiu-se, enfim, com uma lamentável explicação para negar que tenha se referido ao tema pessoal em sua postagem.

Sua curta biografia conta com outros episódios de recuos após gestos de aparente valentia contra minorias. Porém, não parece ser sinal de ponderação ou algo do que se possa ter orgulho.

Um deputado que custa muito caro

Esse tipo de comportamento, porém, não é um ato isolado. Jessé Lopes tem usado seu mandato parlamentar para criar polêmicas, bem ao estilo da moda em Brasília. A profusão de ofensas, postagem com textos confusos e uso desregrado de montagens em suas redes sociais esconde um desempenho parlamentar ridículo. Pouco se viu de sua atuação legislativa ou mesmo em defesa de pautas caras ao Sul do Estado.

Quando resolve legislar, o desastre chega a ser surpreendente. Buscou, por exemplo, revogar o decreto estadual que trata das medidas de isolamento social. Em meio à pandemia do coronavírus.

Ainda que seu gabinete tenha uma despesa inferior à registrada por outros colegas, qualquer centavo investido em sua atuação é um desperdício.

Jessé Lopes naturalmente conquistou seu mandato por vias democráticas. Foi eleito no tsunami que consagrou a truculência de Jair Bolsonaro, em outubro de 2018. E entregou uma boa parcela do poder a ilustres desconhecidos, até mesmo em suas cidades de origem. É inegavelmente o caso deste deputado.

Cada centavo investido em seu mandato, portanto, custeia agressões. Contra cidadãos, contra mulheres, contra outras autoridades. Afinal, é disso que parece se alimentar seu noticiário e suas publicações em redes sociais. Do orgulho de ostentar um gabinete do ódio.

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