Suspender eleição é uma temeridade

O Brasil comemora, neste ano, os 30 anos da recuperação do livre exercício do voto por seu povo. A comemoração será desafiada pela disposição do governo federal de festejar justamente o período sombrio da ditadura militar. Tempo em que não era permitido se manifestar, discordar, pensar. E, principalmente, em que não era permitido votar. Neste cenário, surge um Projeto de Emenda à Constituição (PEC), de autoria do deputado Rogério Peninha Mendonça (MDB-SC), propondo adiar as eleições do ano que vem. Um precedente perigoso. A notícia foi anunciada com festa pela plateia da Marcha dos Prefeitos. Pudera, estes prefeitos teriam, pela proposta, seus mandatos prorrogados por dois anos, além do que lhes foi outorgado pela população nas eleições de 2018. A unificação das eleições é uma discussão polêmica. Por um lado, traria economia; por outro, faria com que o eleitor precisasse dar muitos votos numa mesma oportunidade. Se o entendimento for de se promover essa junção, que se avise ao eleitor antes, e o mandato de seis anos seja o próximo, que se inicia em 2021. Pelo bem do respeito às regras do jogo. E pelo bem da garantia da democracia, rompida tantas vezes na história do nosso país.

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