Será que a culpa é mesmo dos professores?

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina iniciou nesta semana a tramitação do projeto de lei complementar 3/2019, de autoria do deputado estadual Bruno Souza (PSB), que altera a lei complementar 170/1998, “a fim de incluir a previsão da educação domiciliar”. É mais um lamentável gesto de agressividade do Estado (no seu conceito mais amplo, como representação do Poder Público) contra os professores. A liberação do ensino domiciliar, em primeiro lugar, joga nas costas dos docentes a culpa pelos males que afligem a nossa sociedade – ignora que esta categoria é uma das grandes vítimas de más técnicas de gestão pública, precisando conviver com salários abaixo da importância de suas funções e com estruturas físicas sucateadas. A proposta vai além: diz, nas entrelinhas, que qualquer um pode desempenhar o sagrado ofício de lecionar. Afinal de contas, professoras e professores não vão parar nas salas de aula sem acumular formação acadêmica adequada. É lamentável supor que possam ser substituídos por pais que batalham pelo desenvolvimento de seus filhos em muitas áreas da formação humana, mas que não se prepararam para ser professores. Todos nós, certamente, temos guardados na memória momentos especiais proporcionados por grandes professores, pelos seus conhecimentos técnicos e sua sensibilidade social. Transformar em vilã esta categoria, que muitas vezes precisa enfrentar a repressão violenta quando protesta por diretos básicos, seria um gesto que a história não perdoaria.

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