O tsunami Bolsonaro e seus reflexos para o 2º turno

A política vive, de tempos em tempos, ondas eleitorais que fazem com que determinado grupo político seja beneficiado de maneira coletiva. O que o Brasil viveu no domingo foi, certamente, a mais impressionante dessas ondas desde a redemocratização. O PSL, partido até então sem qualquer representatividade significativa, conquistou resultados avassaladores em vários estados – e Santa Catarina foi uma das maiores expressões. Políticos sem expressão no Estado colaram suas imagens à do candidato a presidente Jair Bolsonaro e obtiveram resultados eleitorais absolutamente inesperados. O partido elegeu, por exemplo, nada menos que quatro dos 16 deputados federais do Estado – o maior destaque é Daniel Freitas, que a poucos meses teve seu mandato de vereador em Criciúma cassado por infidelidade partidária e agora é o segundo deputado mais votado de Santa Catarina. Lucas Esmeraldino chegou perto de conquistar a segunda vaga ao Senado e Comandante Moisés extrapolou qualquer previsão otimista ao avançar ao segundo turno da disputa ao posto de governador. A disputa entre Bolsonaro e Haddad já era esperada, inclusive com a larga vantagem do deputado federal. A que envolve Merisio e Moisés surpreende.

Os apoios

A primeira etapa do segundo turno deve ser a dos anúncios de apoios dos candidatos que não avançaram. Na disputa presidencial, Ciro Gomes (PDT) deve declarar voto em Haddad. Geraldo Alckmin (PSDB) tende à neutralidade, com setores aderindo claramente a um e outro – o ex-presidente Fernando Henrique, com Haddad; o candidato ao governo de São Paulo João Dória, com Bolsonaro.

Mariani, Décio e Júlio Garcia

No estado, o quadro é mais indefinido. Mauro Mariani (MDB) teria dificuldades em se aliar ao PSD após os embates internos e tende a apoiar Moisés, que passaria a ter em seu arco de apoiadores muitos dos políticos tradicionais que combateu em seus discursos. Décio Lima (PT) parece distante de ambos pelo apoio mútuo a Bolsonaro. E qual será a posição de Júlio Garcia, eleito deputado estadual e que manteve distância de Merisio durante a sua campanha?

O voto regional com Volnei

Diante do evidente fracasso das campanhas de voto regional, sempre lançadas às pressas, Volnei Weber (MDB) acabou se tornando um exemplo de catalisador deste sentimento de uma maneira avassaladora no Vale do Braço do Norte. Foram 5.694 votos em São Ludgero (78% do total), 8.724 em Braço do Norte (47%), 1.770 em Grão-Pará (39%), 1.506 em Rio Fortuna (40%) e 597 em Santa rosa de Lima (38%), além de 2.274 em Orleans (16%) – nesta cidade ficou atrás de Ulisses Gabriel (PSD). Foram, portanto, mais de 20 mil votos nestes seis pequenos municípios, se valendo da receita de sucesso de José Nei Ascari.

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