O Museu em chamas e o investimento em cultura

O debate sobre o investimento em cultura entrou na campanha presidencial da maneira mais trágica possível. Um incêndio de proporções gigantescas tomou conta no domingo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Localizado na Quinta da Boa Vista, a fantástica estrutura que abrigou a moradia da família real completou 200 anos em junho com mais de 2 milhões de itens que preservavam a história do País em diferentes áreas, com especial foco para o desenvolvimento científico estimulado por Dom Pedro II, seu idealizador. Com dois anos recém-completados de governo, Michel Temer capitaneou um desmonte dos investimentos na cultura nacional, chegando a anunciar a extinção de seu Ministério – voltou atrás depois de receber críticas de aliados, mas nunca deu a menor importância à área. O orçamento do setor despencou, a manutenção do espaço foi precarizada e uma parte da história do País virou cinza. O debate passa pela demonização da cultura, como se este fosse um instrumento de direcionamento político. Muitas produções artísticas brasileiras deixaram de ser produzidas por governantes que resolveram tratar a Cultura como um setor menor, como algo que não pode, aliado à Educação, transformar vidas. Que o trágico incêndio do Museu Nacional nos faça, ao menos, debater o assunto com a clareza que ele merece.

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