O Brasil precisa voltar a ser governado

O governo Temer – se é que pode ser assim chamado – acabou quando o empresário Joesley Batista gravou uma conversa em que o presidente pedia a manutenção de uma suposta compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, principal artífice do impedimento de Dilma Rousseff – e, consequentemente, quem levou Temer ao Palácio do Planalto. De lá pra cá, seu poderio de manobra sobre o Congresso Nacional precisou ser direcionado apenas a evitar que as investigações fossem adiante e nem mesmo a impopular pauta de reformas prosseguiu. No mesmo dia em que lançava justamente seu ex-ministro da Fazenda como pré-candidato à presidência, a política econômica dos últimos dois anos demonstrava a capacidade de levantar a ira de caminhoneiros e transportadores, que protagonizaram uma paralisação de dimensões assustadoras rapidamente engrossada por agricultores, profissionais liberais e toda sorte de trabalhador que esteja abismado com a alta galopante do preço dos combustíveis. O governo federal demonstra absoluta incapacidade de lidar com a situação, inclusive pela total ausência de uma figura com legitimidade para negociar com os líderes do levante histórico, que já gera problemas estruturais muito grandes no País e pode provocar um colapso, inimaginável há alguns dias. A pouco mais de quatro meses das eleições, fica a clara sensação de que o País precisa urgentemente voltar a ser governado.

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