Moisés deu aula de liderança a Bolsonaro

O governador Carlos Moisés deu uma aula de liderança a Jair Bolsonaro. Seu posicionamento frente à crise gerada pela pandemia do coronavírus precisa inegavelmente ser reconhecido até mesmo por quem discorda da sua forma de fazer política. O debate sobre a sua gestão, aliás, é outro. Estamos falando da forma como a crise foi encarada.

O Decreto 515/2020, publicado em 17 de março de 2020, representa um ato de coragem. Hoje o isolamento como forma de enfrentamento da pandemia parece óbvio e obrigatório. No entanto, não era assim quando a medida foi anunciada. Moisés poderia ter temido a reação negativa da população, do empresariado e de diversos outros grupos. Afinal, ninguém havia cogitado medidas tão drásticas.

O tempo mostrou que a decisão de Moisés foi precisa. O fechamento do comércio e de shopping centers rapidamente foi encampado por prefeituras de todo o Estado, diante da gravidade da situação. Não houve, portanto, espaço para a discussão da competência da medida. Afinal, cabe aos municípios regular o horário do comércio.

A decisão foi tão acertada que foi praticamente copiada por outros estados. O governo de São Paulo vai implementar algo semelhante na próxima semana. O modelo virou referência. Moisés deu aula de liderança a Bolsonaro.

O governador se comportou como um líder. Firme e assertivo, convenceu seus liderados a lhe seguir. Transmitiu a confiança necessária também aos órgãos empresariais, que entenderam a necessidade de atacar o problema antes que seus reflexos fossem irreversíveis.

Ainda não é possível saber qual a dimensão dos impactos do vírus. Mas certamente mais valeu encarar o quanto antes do que se comportar como o presidente Jair Bolsonaro, que insiste em desmerecer o risco de uma doença que já matou mais de 10 mil pessoas mundo afora.

Moisés deu aula de liderança, apesar da política

A responsabilidade das medidas do governador não têm a ver com a disputa política. Tanto que foi seguido por prefeitos que se posicionam como seus adversários, inclusive nas prospecções para as eleições municipais. Moisés foi eleito em um projeto de extrema direita, mas demonstrou com o tempo que de fato não é um minibolsonaro, como já afirmava na campanha eleitoral. É combatido à esquerda e à extrema direita.

A administração adotada em seu governo pode e deve ser criticada. É do jogo democrático. Como também é o respeito mútuo que fez com que Santa Catarina se tornasse uma referência na gestão da crise que estamos vivendo.

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