Lédio Rosa de Andrade deixa um legado de desprendimento

Como juiz ou desembargador, Lédio Rosa de Andrade sempre foi digno da mais profunda admiração. Mesmo atuando onde se requer o máximo de discrição, deixava clara a sua visão humana e social ao dedicar-se a causas como a da regularização de propriedade de casas de famílias carentes.

Basta conversar com pessoas que viveram em um local sem a segurança da propriedade para saber quanto alívio o Lar Legal trouxe a elas. Com a escritura nas mãos, esses cidadãos pintavam a casa, faziam a calçada, caprichavam na manutenção. Sabiam que estavam cuidando do pouco que era delas.

Quem viu Lédio se emocionar com histórias como essas sabia que havia ali uma pessoa de rara sensibilidade.

Ao assumir o desafio de candidatar-se ao Senado pelo PT em 2018, Lédio demonstrou mais uma vez que a sua ordem de prioridades não se baseava apenas no rito primário do nosso capitalismo selvagem.

Continuar atuando como desembargador seria muito confortável, social e economicamente. Mesmo aposentado, estabelecer-se como advogado também não seria nada difícil, dado o seu invejável currículo profissional e acadêmico. Ele optou pelo caminho de longe mais espinhoso.

Foi para a linha de frente da defesa das ideias que lhe enchiam o coração. Encampou o combate ao fascismo, termo que empregava e detalhava com maestria. Atacou os excessos cometidos por setores do Poder Judiciário de detalhava seus efeitos nocivos à sociedade.

A história fatalmente colocará à prova seus ensinamentos e é de se lamentar que sua ponderação cheia de emoção não esteja entre nós para nos ajudar a entender o que veio e o que está por vir.

Poucas cenas dirão tanto sobre Lédio quanto o seu discurso no velório do reitor da Ufsc, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, vítima do fascismo que ambos tanto combateram.

Sua sensibilidade e seu desprendimento seguem presentes.

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