Guedes enganou a classe média

Paulo Guedes enganou a classe média.

Certamente não a todos que estão lendo esse texto. Muitos perceberam sua ojeriza ao cidadão desde o primeiro momento. Muitos outros, no entanto, acreditaram que havia um plano de resgate do poder de compra do trabalhador brasileiro. Acreditaram, afinal, que seria preciso apenas que a presidenta Dilma fosse derrubada de seu mandato para que tudo voltasse a ser como antes.

Os caminhos que rejeitam a democracia podem até parecer avanços sociais em algum momento. Porém, o custo é alto.

Um símbolo foi eleito: o dólar. A queda de Dilma traria queda imediata do dólar. Eduardo Bolsonaro, filho do hoje presidente Jair Bolsonaro, alertava: “não compre dólar agora!”. Estava então implícito na postagem: “meu papai vai baixar o valor da moeda americana.

A constatação, ädemais, era clara: o dólar alto deixa o brasileiro mais pobre.

Tudo o que eles queriam aconteceu. Dilma foi golpeada e Michel Temer assumiu a presidência. Implementou as políticas que quis. A continuidade de sua política estava na eleição de Bolsonaro. Ele tomou posse e nomeou Paulo Guedes ministro da Economia.

Guedes enganou a classe média e quer o dólar alto

Bolsonaro governa para os mais ricos. As pesquisas de opinião mostram com clareza que sua aprovação se dá entre quem tem mais renda. Seu governo não pensa, portanto, na recuperação do poder de compra da classe média. Não faltam análises claras sobre o fato de sua gestão ser sustentada pela elite econômica brasileira.

Ontem, Paulo Guedes resolveu escancarar isso. Embora tenha chegado ao seu cargo alimentando expectativas de baixa do dólar, ele foi “sincerão”. Inesperadamente ou não, disse que o dólar alto é bom. Bom para quem?

Como problema do dólar baixo, citou o fato de empregadas domésticas irem à Disney. Uma festa danada, complementou. Os milhões de brasileiros que sonham com uma viagem internacional e não podem nem pensar nisso agora por causa da cotação da moeda receberam um recado: isso não é para vocês. Contentem-se com as viagens que o governo considera adequadas. Ponham-se no seu lugar.

Era isso que as pessoas estavam afinal esperando desse governo?

O governo Caco Antibes

O jornal Extra, do Rio de Janeiro, aliás, fez a comparação espirituosa do governo com Caco Antibes, o personagem de Miguel Falabella no humorístico Sai de Baixo que tem horror a pobre. Triste realidade.

Temos um governo que defende o dólar alto. Para que uma viagem à Disney seja exclusivo para “quem pode”.

Não é difícil entender quem está no grupo dos eleitos dos governos Temer e Bolsonaro. Igualmente não são os milhões de prejudicados pela Reforma Trabalhista. A esses cabe entender e dar a sua cota de sacrifício.

Muito menos quem vai ter a mesma sorte dos trabalhadores chilenos e seu modelo de capitalização previdenciária sonhado por Paulo Guedes. O Chile, segundo o ministro, é a Suíça da América Latina. O mesmo modelo que colocou o país em colapso.

Resta esperar que a classe média entenda que elegeu um algoz e que é preciso pará-lo enquanto é tempo.

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