Governo não é campanha eleitoral

A disputa de uma campanha eleitoral é intensa, desgastante, e nem sempre premia a lógica. Não é um processo humano fácil para quem o vive diretamente. Aos vencedores dessa etapa surge uma realidade ainda mais assustadora: governar é ainda mais complicado do que ganhar uma eleição. É isso que os representantes do PSL de Santa Catarina estão descobrindo de uma maneira traumática. Com menos de duas semanas de governo, já há uma fratura exposta na estrutura partidária, provando que uma campanha contra “tudo o que está aí” pode ser feita pelas redes sociais, mas lidar com o poder demanda habilidade e sensibilidade. Não há grupo político que seja homogêneo, mas equilibrar as diferenças – especialmente as internas – é a essência da democracia. O presidente estadual do partido, Lucas Esmeraldino, demonstrou assustador amadorismo ao comandar a destituição da Executiva da sigla, no apagar das luzes de 2018. Tirou de cena alguns deputados eleitos e os substituiu por apoiadores particulares sem expressão. Teve uma aula de articulação do deputado federal eleito Daniel Freitas, ex-vereador de Criciúma e oriundo de uma família influente na política estadual. Até o fim do mês, deverá ser substituído, talvez ganhando uma vaga na Executiva nacional como prêmio de consolação. A política foi renegada durante a campanha, mas não é possível fugir dela permanentemente.


O começo de Moisés

No âmbito administrativo, o começo do governo de Carlos Moisés da Silva foi assustador. Registram-se quatro exonerações de pessoas nomeadas sob o argumento de capacidade técnica e defenestradas de suas cadeiras por pressão de aliados do governo. Mais uma prova impositiva de que a política é indispensável, com o perdão da redundância, na política. O início das atividades da Assembleia Legislativa é aguardado ansiosamente para colocar à prova sua capacidade de diálogo com as pessoas que a população escolheu para representá-la.

O começo de Bolsonaro 

No governo federal, Jair Bolsonaro demonstra muito mais direcionamento político e ideológico, adequado a quem exerceu mandatos eletivos por quase 30 anos. As bancadas temáticas indicaram seus ministros e defendem causas da direita; devolvem sustentação no Congresso Nacional. O clima de campanha no Twitter mantém o eleitorado mobilizado, pelo menos até que se saiba ao certo quem será atingido pela proposta de reforma da previdência que vem por aí.

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