Governo de SC deve muitas explicações

O governo de SC ainda deve muitas explicações sobre a polêmica compra de R$ 33 milhões, revelada ontem pelo The Intercept Brasil. O excepcional trabalho investigativo do site que mais se destaca nesse tipo de apuração apontou detalhes de uma compra de 200 respiradores mecânicos altamente controversa.

De acordo com o texto, revela-se uma série de barbaridades:

  • o valor muito acima do praticado pelo mercado;
  • a “fragilidade” dos orçamentos apresentados;
  • o pagamento antecipado, o que foge aos padrões da administração pública;
  • a falta de histórico de vendas da empresa fornecedora;
  • a real perspectiva de que os produtos possam sequer ser entregues.

O governador Carlos Moisés pouco falou sobre o tema. Hoje, ainda que com atraso, fez um pronunciamento de 11 minutos, ao lado de Alisson de Bom Souza (procurador-geral), Hélton Zeferino (secretário de Saúde), Paulo Koerich (delegado-geral da Polícia Civil) e Luiz Felipe Ferreira (controlador-geral). Esta manifestação pode, portanto, ser conferida abaixo.

Governo de SC deve muitas explicações

O pronunciamento reforça a certeza de que o governo ainda deve muitas explicações. O governo e, ao mesmo tempo, o governador. Carlos Moisés deixou claro que determinou a investigação dos fatos em todos os âmbitos possíveis. Foram abertas, portanto, sindicâncias na Secretaria de Estado da Saúde e na Controladoria Geral do Estado; inquérito criminal na Polícia Civil; e a determinação à Procuradoria que tome medidas judiciais, ao passo em que surjam as informações necessárias.

Administrativamente , certamente é o que há a se fazer.

Mas e politicamente? No vídeo, Moisés deixa claro que só tomou conhecimento do fato ontem. Mais de um mês depois de tudo acontecer. O secretário de Saúde demonstrou um pouco mais de conhecimento dos fatos, mas também procurou se distanciar das decisões aparentemente inexplicáveis. Garantiu que o procedimento não segue a orientação do governo do Estado.

Perguntas sem resposta

Apesar de o tema ser grave, ainda não houve uma entrevista sobre o tema. Transparente, com perguntas e respostas. E os questionamentos naturais ficam no ar.

Se estas decisões não foram tomadas pelo governador e pelo secretário de Saúde, quem está no comando de uma operação dessas? Que envolve tanto dinheiro e procedimentos administrativos tão fora do padrão? É um problema muito grave, demonstra falta de controle na gestão pública.

O governador demonstrou surpresa, sobretudo com a velocidade do processo e o pagamento antecipado. Não é usual que o chefe do Poder Executivo seja surpreendido com atos de seus subordinados.

Disse ainda mais: que o setor de compras deveria ter adotado cuidado redobrado no processo.

Não resta dúvida de que deveria, mas é preciso compreender como o governador e o secretário de Saúde não tomaram conhecimento do que acontecia. E por que ainda não houve medidas políticas quanto a isso.

Tudo isso em meio a uma pandemia que, infelizmente, parece longe de acabar.

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