“Escola Sem Partido”, chamado de “Lei da Mordaça”, tramita na Câmara de Tubarão

Em um vídeo célebre, o historiador Leandro Karnal classifica o projeto de lei denominado Escola Sem Partido como “uma asneira sem tamanho”.

É uma asneira sem tamanho, uma bobagem conservadora, de gente que não é formada na área e que decide ter uma ideia absurda, que é substituir o que eles imaginam que seja uma ideologia por outra ideologia…É uma crença fantasiosa de uma direita delirante e absurdamente estúpida de que a escola forme a cabeça das pessoas e que esses jovens saem líderes sindicais. Os jovens têm sua própria opinião. Os jovens não são massa de manobra…. Toda a opinião é política, inclusive a ‘escola sem partido’…. A demonização da política é a pior herança da ditadura militar, que além de matar seres humanos, ainda provocou na educação um dano que vai se arrastar por mais algumas décadas”.

 

Esse projeto, classificado por várias entidades ligadas aos professores como “Lei da Mordaça“, tramita na Câmara dos Deputados desde 2015 e agora também está em discussão na Câmara de Vereadores de Tubarão, por proposição do vereador Lucas Esmeraldino (PSDB), pré-candidato a deputado estadual.

A lei é duramente criticada também pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

O coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, exemplifica: “Imagina uma aula sobre Segunda Guerra Mundial em que não se faz uma crítica radical ao nazismo ou uma aula sobre democracia e direitos políticos em que não se faz um reconhecimento justo sobre a luta das mulheres pelo direito do voto e pelo direito de serem votadas”.

Evidentemente, o único reflexo da eventual aprovação de uma lei como esta seria a patrulha sobre os professores, que correriam o risco de ser alvo de denúncias caso estimulem os debates em sala de aula.

Tive, como qualquer cidadão, ótimos professores na vida. Alguns ponderados, outros em que as convicções políticas eram evidentes. Alguns mais à direita, outros à esquerda. Aprendi muito com todos, ouvi argumentos de todos os lados e formei as minhas convicções – e acredito que tenha contribuído um pouquinho para a formação das convicções de cada um deles.

O debate é saudável e forma cidadãos politizados. Vamos deixar os professores em paz e nos preocupar com o que realmente interessa, por favor.

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