Educação infantil: o debate não pode ser apenas sobre número de vagas

A discussão sobre a falta de vagas no Município para a educação infantil está em alta. Pais e mães protestam por não conseguir deixar seus filhos em creches da rede pública.

O problema é real e muitas ponderações podem ser feitas sobre o tema, que precisa ser revisto no País.

Proponho duas:

  • Quando o serviço público notabiliza-se por sua qualidade, acaba atraindo a procura de setores sociais que tradicionalmente usam a rede privada. No caso das creches, quando elas se mostram eficientes, pais que costumavam matricular seus filhos em instituições privadas passam a confiar no que a prefeitura disponibiliza, o que aumenta a demanda. O mesmo vale para a saúde: quando o SUS funciona, as pessoas recorrem menos a planos e serviços particulares. De onde pode se concluir que atender a toda a demanda é quase impossível porque, quanto melhor fica o serviço, mais gente passa a procurá-lo.

 

  • A educação infantil, infelizmente, é tida como mero depósito de crianças. Muito se fala em quantidade de vagas e pouco se fala em qualidade. Em São Paulo, o prefeito João Dória propôs fechar salas de leitura e brinquedotecas para abrir espaço a mais salas. Um caso clássico em que busca espaço físico em detrimento da qualidade de ensino. O que importa é enfiar mais e mais crianças dentro das escolas, sem se importar muito com a qualidade do trabalho desenvolvido com elas lá dentro.

Dois tópicos que evidenciam a rediscussão que precisa haver no setor.

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