Distritão é a arma para deputados atuais se reelegerem

A imprensa nacional tem alardeado que haverá uma Reforma Política a toque de caixa nos próximos meses, já que, para valer já em 2018, ela precisa ser aprovada até outubro deste ano.

A proposta mais comentada é a do Distritão, que acabaria com o sistema de legenda e faria com que fossem eleitos os candidatos mais votados, independentemente de partidos e coligações.

Em Santa Catarina, por exemplo, seriam eleitos os 16 candidatos a deputado federal mais votados e os 40 candidatos a deputado estadual mais votados. Em Tubarão, os 17 candidatos a vereador mais votados.

Uma armadilha

Num primeiro momento, pode parecer saudável. Excluiria-se assim o risco de candidatos supervotados puxarem quem teve muito menos votos — embora isso aconteça muito esporadicamente.

Ocorre que o sistema de legenda tem dois benefícios:

  • Obriga os candidatos a se relacionar com seus partidos e a criar identidade com eles;
  • Promove a renovação de candidaturas.

Só os caciques poderão ser candidatos

Em 2016, Tubarão teve quase 200 candidatos a vereador. Todos os partidos precisavam conciliar candidatos fortes com candidatos de suposto menor potencial para formar a legenda, e isso faz com que a porta esteja aberta a quem queira se candidatar. Muitos surpreendem e fazem as grandes votações, outros se fortalecem para disputas futuras.

Com o Distritão, nenhum partido vai ter interesse de lançar candidaturas que não tenham, numa avaliação preliminar, chances reais de brigar pelos primeiros lugares. Partidos que buscavam mais de 20 nomes para compor suas nominatas vão querer lançar o mínimo possível de candidaturas para não correr o risco de dividir votos.

A campanha fica mais pessoal e menos política. Os partidos perdem ainda mais força.

A mudança seria boa para os velhos caciques de sempre, que evidentemente teriam vantagem nessa disputa pela indicação. O direito de ser candidato será cada vez mais reservado aos donos do poder e seus indicados.

Deputados querem o Distritão para serem reeleitos

A conclusão é óbvia: deputados que passaram por constrangimentos imensos nessa legislatura, pelo desnudamento do sistema de financiamento eleitoral e pelas suas posições a favor do atual governo, buscam um sistema eleitoral que não coloque em risco a sua própria reeleição.

O Distritão lhes dá isso por inibir o surgimento de novas candidaturas.

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