Considerações sobre Bolsonaro no Roda Viva

O pré-candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) esteve na segunda-feira no Roda Viva, na TV Cultura, assim como já estiveram quase todos os presidenciáveis. Ciente de que Bolsonaro desperta opiniões muito convictas entre seus seguidores e oponentes, atrevo-me a avaliar a sua participação em um dos mais nobres espaços do jornalismo brasileiro. Na entrevista, o deputado federal dialogou fortemente com o público que já o venera nas redes sociais: falou mal do PT mesmo quando a pergunta era sobre outro assunto, sustentou atrocidades ditas no passado e chegou a dizer que não defendeu o fuzilamento de José Gregori (ministro do governo FHC) por sua insignificância. Algo coerente com quem já disse que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) por ela não merecer. A repercussão das redes sociais mostra, porém, que tais declarações não abalou o apoio que ele já conquistou.

Para dentro da bolha

A questão, no entanto, é o que as pesquisas de todos os institutos têm demonstrado: Bolsonaro tem a fidelidade canina de seus apoiadores, mas dificuldade extrema de dialogar fora desta “bolha”. Para quem ainda não decidiu sobre em quem votar, não ajuda ver um candidato dizer que os negros é que são culpados pela escravidão, que a mortalidade infantil é causada pelos nascimentos prematuros e que o desemprego obrigará os agricultores a aprender outra atividade. O despreparo, apesar dos sete mandatos de deputado federal, é latente e cobrará sua fatura.

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