Coluna de 24/10/2017

Memórias da Ditadura em Tubarão

Andréia Daltoé, professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Unisul, esteve ontem na Câmara de Vereadores para abordar as pesquisas acadêmicas que desenvolveu sobre os trabalhos da Comissão da Verdade em Santa Catarina. Abordou um fato pouco conhecido: existe um tubaronense entre os desaparecidos políticos que nunca tiveram seus corpos encontrados. Divo Fernandes d’Oliveira nasceu em Tubarão, em 3 de janeiro de 1895, filho de Thamasia Bernarda de Jesus e João Tomás Oliveira. Participou do Comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964 em que o presidente João Goulart anunciou a intenção de promover as reformas de base. O golpe militar se deu em 1º de abril do mesmo ano e logo depois o tubaronense foi preso, já próximo dos 70 anos. Ele era taifeiro da Marinha. Sua família residia em Criciúma, após a sua prisão. Até hoje não se sabe das circunstâncias de sua morte.

O outro lado

O deputado federal João Rodrigues esteve em Tubarão na semana passada, entregando um trator no Campo da Eira. Enquanto Gelson Merísio planeja uma candidatura a governador pelo PSD tendo o PP como aliado, Rodrigues está do lado de quem aposta em uma união com o PMDB. Avalia que não faz sentido o governador Raimundo Colombo renunciar e entregar o comando do governo a um adversário eleitoral. A menos que ele considere a possibilidade de cumprir até o fim seu mandato, sem concorrer em 2018.

Corrupção nos quartéis

Em tempos em que o discurso populista de volta da Ditadura Militar ganha adeptos pela total descrença da população em sua representação política atual, vale ler uma matéria do portal UOL em que se descontrói qualquer ilusão de que o Exército abrigaria pessoas imunes à corrupção. O Ministério Público apura casos de propina, fraude em licitações e até roubo de peças de tanques, envolvendo desde praças a donos de altas patentes. Lamentavelmente, um cenário que não difere do verificado entre os civis.

PP quer definir candidato

O PP de Tubarão pretende fazer nesta quinta-feira a sua escolha final quanto à candidatura a deputado estadual que o diretório municipal pretende registrar na eleição do ano que vem. Depois de meses de muita articulação, o partido recebeu a desistência de dois nomes que eram até então cogitados: o chefe de gabinete do prefeito, Laércio Menegaz, e o vereador Gelson Bento. Restaram dois pré-candidatos: o secretário de Desenvolvimento Social Deka May e o presidente da Câmara de Vereadores Pepê Collaço.

Estratégias

Deka tem demonstrado discordância com o andamento do processo de escolha e dele pouco tem participado. Pepê, ao contrário, tem frequentado a instância partidária e pedido a todos a oportunidade de concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa. Soma-se a esse cenário uma realidade inegável. A provável candidatura de Júlio Garcia, também a deputado estadual, faz com que muita gente repense concorrer ao posto. Não é o caso de Pepê.

Indefinição

A grande questão é que a participação de Júlio Garcia na eleição só pode ser considerada sacramentada quando ele de fato renunciar ao seu posto de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Ainda assim, há quem veja nele condições de preencher espaço em uma composição majoritária, justamente por sua liderança transcender muito os limites partidários. Júlio na majoritária poderia ser, no entendimento de lideranças, a senha para a formação de um bloco entre três grandes partidos: PSD, PSDB e PMDB ou PP.

Uma vaga em aberto

A se confirmar essa construção, a região poderá gerar uma nova candidatura. Afinal de contas, Júlio não concorreria a deputado estadual e José Nei Ascari seria indicado para o Tribunal de Contas do Estado, deixando sem candidato a estrutura que vem elegendo um ou outro há mais de 30 anos. O presidente municipal do PSD, Luciano Menezes, pode preencher esta lacuna.

Troca na ADR

O PSD de Tubarão estuda a possibilidade de trocar a indicação para o cargo de secretário regional. Nilton de Campos poderia ser deslocado para alguma secretaria do governo municipal e o seu posto seria assumido por algum vereador, abrindo espaço a um suplete na Câmara. Dalton Marcon, ex-gerente regional de Saúde, é o nome cotado.

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