Colombo reúne a imprensa, mas não traz novidades

O  governador Raimundo Colombo convidou jornalistas de todo o Estado para um almoço ontem, na Casa da Agronômica. Chegou ao local lado a lado com seu vice, Eduardo Moreira. Diante de toda a dúvida quanto ao momento da sua renúncia, parecia irreal que ele se sentaria à mesa com a imprensa regional do Estado para não fazer um anúncio concreto. Mas foi exatamente isso que aconteceu. Em sua fala inicial, anunciou que quer ser candidato ao Senado e que, forçado pela legislação eleitoral, renunciará ao comando do Executivo. Disse que pretende iniciar a transição no final de janeiro, fazendo se espalhar a ideia de que nesta data deixaria o cargo. Após a pausa para o almoço propriamente dito, explicou melhor e deixou o cenário apenas mais confuso: declarou que iniciar a transição não significa renunciar – embora seja difícil entender qual seja a necessidade de muitos procedimentos para passar o comando a um vice que o acompanha a sete anos. Garantiu que renunciará apenas em abril, quando a legislação lhe obriga. Também que pretende pegar pequenas férias no fim do ano e realizar um curso na Espanha, com 18 dias de duração, após o Carnaval – ou seja, se licencia, mas volta ao comando. Em resumo, falou bastante, mas disse pouco do que ainda não se sabia sobre os próximos passos do jogo político estadual.

Como em 2014

A condução de Colombo lembra muito o processo de 2014, quando o governo reunia PSD, PMDB e PSDB e o PP nutria o desejo de encontrar um espaço para emplacar a candidatura ao Senado de Joares Ponticelli. Colombo não dizia nem sim nem não e o choque esperado entre PMDB e PP deu-se apenas às vésperas das convenções, resultando na formação de um bloco entre PSDB e PP. Colombo mais uma vez não fecha portas para ninguém, falando o necessário e dizendo o mínimo possível.

Previdência e Alckmin

As falas mais convictas do governador foram destinadas ao apoio à Reforma da Previdência proposto por Michel Temer e à candidatura presidencial de Geraldo Alckmin (PSDB). Colombo elogiou Henrique Meireles, seu correligionário e hoje ministro da Fazenda de Temer, disse que ele pode estar na mesma chapa do governador paulista, mas não demonstrou entusiasmo com os seus planos de concorrer à presidência da República – dando a entender que seu desejo pode ser mesmo o de ser vice de Alckmin.

Indicativos

Pode-se concluir, porém, que Raimundo Colombo e Eduardo Moreira estão afinados. O vice-governador se mostrou, em algumas oportunidades, contrariado com a possibilidade de assumir o posto de governador apenas no limite legal, mas sua presença no ato de ontem denota que ambos chegaram a um entendimento, que provavelmente passaria ela manutenção da aliança entre seus partidos.

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