Cau, uma morte que não pode ser em vão

A morte do tubaronense Luiz Carlos Cancellier de Olivo, reitor da Ufsc, ganha contornos de fato histórico a cada volta ao assunto. Há alguns dias, a Polícia Federal apresentou um relatório das denúncias feitas contra Cau, que foi preso sem que fosse réu de qualquer ação e acabou por tirar a própria vida semanas depois do fato chocante. O relatório tem quase mil páginas e apresenta uma série de acusações contra o reitor. Reportagem da Folha de São Paulo, no entanto, tratou de um tema recorrente nos últimos anos: a total ausência de provas para o que se acusa, como se as comprovações fossem um artigo de segunda importância em um processo como esse. Diversas autoridades políticas têm tratado do tema, inclusive no Supremo Tribunal Federal, abordando a necessidade de apurar um eventual abuso de autoridade neste caso. Não se pode fechar os olhos para um fator político importante: ao imputar a Cancellier culpa no que se apura, a Polícia Federal tira, coincidentemente ou não, de suas costas o peso da morte do reitor. Se entendermos que houve abuso de autoridade, precisamos compreender que este abuso foi grave a ponto de propiciar a morte de um homem. Um debate que se tornou nacional e não pode ser abafado.

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