Candemil é vítima do golpe que seus líderes ensinaram

Quando promoveu o golpe parlamentar no ano passado, decidindo interromper o mandato da presidenta Dilma Rousseff sem mesmo definir qual seria a argumentação, PMDB e PSDB lideraram um processo que, evidentemente, traria reflexos nocivos à democracia.

A decisão de derrubar o mandato de Dilma, fosse com a argumentação que fosse, ficou evidente em depoimentos do senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado nas eleições de 2014 e recordista absoluto de citações na Operação Lava jato, curiosamente imune a qualquer investigação concreta até o momento.

Aécio disse, com todas as letras, que o grupo estudava qual seria o melhor caminho: renúncia, impeachment ou cassação da chapa. A história mostrou que a renúncia não seria possível porque Dilma não renunciaria e que a cassação da chapa Dilma/ Temer também não seria o caminho indicado porque desembocaria numa nova eleição – sistema que o grupo mostrou não prezar. Para não correr riscos, optou-se pelo impeachment.

Assembleias legislativas e câmaras de vereadores entenderam que podem desafiar os mandatos do Poder Executivo quando bem entenderem, bastando para isso terem votos para tal.

É o que aparentemente faz a Câmara de Vereadores de Laguna, que abriu uma descabida CPI contra o prefeito Mauro Candemil (PMDB), menos de três meses depois de sua posse. As denúncias que motivaram a abertura do processo são graves, porém notoriamente superficiais.

O depoimento da servidora, que originou o processo, virou-se contra o autor. O presidente da Câmara é acusado de coagir a funcionária do governo do Estado a dar o depoimento.

Também notória é a instabilidade política do governo, a ponto de vereadores do próprio PMDB e do PSDB – sim, eles de novo – terem articulado a abertura da CPI.

Mauro Candemil foi eleito e seu mandato precisa ser respeitado.

Ele acusa um início de golpe. Tem razão. Mas é um golpe que seus próprios líderes ensinaram ao Brasil.

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