Bolsonaro resolveu brincar com vidas

Jair Bolsonaro resolveu brincar com vidas humanas. Em um pronunciamento em rede nacional nesta noite, o presidente da República voltou a encampar um discurso lunático. Dias após seu filho atribuir à China a culpa pelo vírus Covid-19, Bolsonaro reforçou as teses tresloucadas que a pandemia não é grave. E de que, portanto, é mais urgente preservar a economia do que preservar a vida das pessoas que estão ameaçadas.

Mesmo informado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre a gravidade da situação, voltou a chamar a pandemia de “gripezinha“.

Afinal de contas, o que ele pretende? Muita gente pode morrer por causa da sua irresponsabilidade. Bolsonaro participou de um ato público e cumprimentou dezenas de pessoas ciente de que poderia estar infectado – ainda aguardava a contraprova e há muitas incertezas sobre os exames que ele se recusa a mostrar. Estava em isolamento justamente por isso.

A quem interessa entupir as escolas de crianças e funcionários adultos quando um vírus tão facilmente transmissível circula entre nós? A quem interessa a possibilidade de carnificina que se vê em outros países? Ainda mais de maneira tão silenciosa, muitas vezes sem manifestar qualquer sintoma.

Bolsonaro construiu sua carreira política criando polêmicas. Liderou motins no Exército, se candidatou a vereador para evitar a sua expulsão da corporação. Como deputado, construiu um longo histórico de ofensas aos mais diversos grupos como forma de manter a notoriedade em programas populares, como Superpop e CQC.

Mesmo sem nunca ter dado garantias a ninguém de ter plena saúde mental, se tornou presidente em um processo que ainda será muito estudado academicamente, com toda a certeza. Beneficiou-se de uma onda internacional de nacionalismo tosco e anticientífico que já revela sua trágica face em vários países.

Bolsonaro resolveu brincar com vidas

No pronunciamento desta noite, voltou a incitar a população a desobedecer as orientações das autoridades sanitárias. É tão despreparado que se gaba de estar na contramão de um país que governa – ou deveria governar. É ignorado não apenas pela população, mas também pelos seus subordinados diretos, como o ministro da Saúde.

Mas foi longe demais. Pessoas podem morrer porque ele resolveu obedecer seus filhos, tão inconsequentes quanto ele. Porque insiste em sustentar a carreira “literária” de Olavo de Carvalho, que enriquece vendendo livros que muita gente compra e provavelmente pouca gente lê.

Tudo deixou de ser disputa política porque está envolvendo vidas. Sob o seu comando, o País já vivia uma recessão profunda, com fuga de investidores causada por seu absoluto despreparo para liderar qualquer coisa. Diante da mais grave crise da história da República, seu comportamento deixa de ser ridículo e passa a ser temerário.

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