Aos defensores do Escola Sem Partido, restou dizer que o projeto é insignificante

Os dias que antecederam a Audiência Pública da última sexta-feira, em que a Câmara de Vereadores debateu o projeto de lei denominado “Escola Sem Partido” no âmbito municipal, já davam indicativos da narrativa que estava por vir. Proponente da iniciativa, o vereador Lucas Esmeraldino (PSDB) esteve em diversas rádios para – pasmem! – defender a insignificância do projeto.

Frases como “eu não entendo porque tanta discussão” e “gente, é só um cartaz” tornaram-se os melhores argumentos para o embate que se aproximava.

Será que faz sentido defender um projeto de lei dizendo que ele não tem nada a acrescentar?

Mesmo a nossa imprensa local, que não há de ser acusada de bolivarianismo, teve a clareza da perda de tempo que foi discutir o tema. As colunas Da Redação e Néia Lopes, do Diário do Sul, trataram do tema.

Nem era necessário aguardar o fim do debate para concluir que a escandalosa inconstitucionalidade de um projeto de lei municipal que quer tratar de grade curricular, assunto evidentemente de âmbito federal.

O projeto de lei populista e demagógico foi contraposto por cinco professores na audiência, enquanto a estrela do lado que defendia a posição era Eduardo Bolsonaro – que chegou bem atrasado –, um dos filhos do deputado federal Jair Bolsonaro, em plena campanha presidencial. Isso ajuda a explicar o posicionamento quase total dos professores de todas as correntes políticas contra o tal cartaz.

Uma última tentativa de salvar o projeto foi tentar convencer os professores da rede privada a esquecer o assunto, pois a mordaça seria apenas para a turma dos órgãos públicos. O movimento permitiu um gesto de imensa grandeza de várias lideranças educacionais, que mostraram não estar preocupadas apenas com seu próprio umbigo, mas sim com uma ampla discussão sobre a vocação de suas vidas.

Em São Paulo, houve registro de vereador invadindo escola.

Tubarão tem boas chances de não passar por mais esse vexame nacional, enfim.

Restou a quem defendia o projeto discursar sobre os aplausos da meia dúzia de cidadãos que, valendo-se dos direitos que só a Democracia poderia lhes proporcionar, tem o hábito de pedir a volta da Ditadura ao país.

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