Acit e CDL não se entendem sobre o fim das paralisações

O clamor popular quase unânime em defesa das paralisações nas estradas brasileiras ficou na semana passada. Os primeiros dias da atual semana foram de mobilização pela volta à normalidade. Governos estaduais, municipais e entidades empresariais fizeram coro à necessidade de reestabelecer a rotina após o atendimento da pauta dos caminhoneiros e das transportadoras pelo governo federal. O prejuízo generalizado já ganha níveis alarmantes, com desperdício de produção, sacrifício de animais, queda aguda na arrecadação dos entes públicos. A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), no entanto, destoou totalmente do clima geral do país. Na contramão da busca pela estabilização, convocou uma manifestação sem pauta muito definida – as entidades ligadas ao transporte já haviam anunciado estar satisfeitas com os resultados. Além de chamar o ato, determinou o fechamento de lojas e a mobilização de lojistas e funcionários. Ainda na Cidade Azul, a Associação Empresarial de Tubarão (Acit) emitiu comunicado pedindo unidade para reduzir o prejuízo financeiro já registrado. O movimento da CDL, como era de se esperar, descambou para pedidos de estabelecimento de uma ditadura militar no país, a quatro meses de uma eleição presidencial, conquista suada do povo brasileiro após os anos de chumbo do passado. O Brasil precisa, definitivamente, voltar a andar para frente.

A bolsa fica

Diversos funcionários de lojas registraram pressão de superiores para participar da manifestação. Uma das táticas foi exigir que as bolsas pessoais ficassem nas lojas, sendo retiradas apenas após o evento.

“Um adia, o outro perde”

Comentário oportuno de um empresário que transita entre os meios comerciais e industriais. A diferença é que a paralisação das atividades não significa perda para o comércio, as mercadorias vão ser comercializadas: a entrada do dinheiro é apenas adiada. Na indústria é bem diferente, o tempo parado representa uma perda irrecuperável.

Deixe uma resposta