A tese das semifinais na disputa presidencial

O ex-presidente Lula naturalmente desperta os mais diversos tipos de sentimento em cada cidadão. Mas não dá para discutir que a eleição deste ano passa pelo debate de seu legado e o eleitor que lhe dedica o voto nos cenários em que é incluído colocará ao menos um candidato no segundo turno. Seus quase 40% de intenção de voto no primeiro turno, resultado dos levantamentos de diversos institutos (com pequenas variações) podem levar um nome mais à esquerda, como Ciro Gomes (PDT) ou Fernando Haddad (PT). É como se aqui fosse disputa uma das semifinais, que terá cenário mais claro quando a candidatura de Lula estiver definitivamente apreciada pela Justiça Eleitoral e sua declaração expressa de voto vier à tona, em caso de impugnação. Do outro lado, deduz-se que o eleitorado conservador também tenha condições de colocar um de seus representantes na fase decisiva da eleição. Um posto tradicionalmente ocupado pelas candidaturas do PSDB e hoje liderado por Jair Bolsonaro (PSL). Essa parece ser a briga da outra semifinal, tanto que as críticas de Alckmin têm se dedicado a Bolsonaro, e não à esquerda. Como se o tucano informasse aos seus aliados que não pode querer disputar a final do campeonato sem antes vencer a semifinal. Bolsonaro é um ícone novo no cenário e de desempenho imprevisível. Há muitos meses estabeleceu-se na casa dos 17%, de onde não desce e nem sobe. Talvez, por ter fidelizado com tanta competência o público de extrema direita a ponto de não conseguir furar a bolha e chegar ao eleitor moderado de direita. Mas a campanha presidencial nem começou ainda.

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