A rivalidade precisa ficar nas arquibancadas

Há uma grande polêmica envolvendo Atlético Tubarão e Hercílio Luz nos últimos dias, alimentada por torcedores e dois fatos concretos: a manifestação do governo federal quanto à ocupação irregular do Atlético Tubarão no estádio Domingos Gonzalez e o jogo entre as duas equipes, vencido pelo mesmo clube. A discussão entre os torcedores é saudável, até porque não houve registro de qualquer incidente nem mesmo do dia do jogo. Nossos torcedores estão de parabéns. O presidente do Atlético Tubarão, no entanto, tem trazido esse debate para o nível institucional. Dias atrás, espalhou por WhatsApp uma carta em que atribui a pessoas “ligadas ao Hercílio Luz” as denúncias quanto ao uso do estádio. Há provocações mútuas entre torcidas: tricolores invadiram o estádio Anibal Costa e colocaram uma jaqueta do clube no Leão, símbolo do rival; os colorados cantaram e tiraram fotos na loja do adversário. Há quem vibre, há quem discorde, isso é coisa de torcedor. A situação torna-se preocupante quando um dirigente divulga uma carta em que atribui seus problemas ao outro clube – como se a culpa de o estádio Anibal Costa quase ter ido a leilão recentemente fosse do Atlético Tubarão, já que seus torcedores também monitoram as ações trabalhistas que levaram a isso, no seu pleno direito de torcer e secar. O mesmo já havia acontecido na semana passada, quando o presidente do Atlético Tubarão disse que proibiria a venda de cerveja à torcida do Hercílio Luz – uma bravata que ele mesmo sabia que não poderia cumprir, a menos que proibisse em todo o estádio. O ataque a membros da imprensa que são torcedores do Hercílio Luz (entre os quais me incluo) também não cai bem a um executivo desse porte, já que há também muitos membros torcedores do Atlético Tubarão e todos, em exceção, merecem respeito. Essas bravatas são a graça do futebol, mas quando gritadas nas arquibancadas ou ditas numa mesa de bar. Quando atinge o grau institucional dos clubes, sai completamente do tom.

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