A nova política do século passado

Em Maracajá, o prefeito Arlindo Rocha (PSDB) chamou a atenção ao anunciar que enviará um projeto de lei à Câmara de Vereadores para que não receba mais o salário de R$ 14,2 mil ao qual tem direito. Não está claro e nem mesmo a prefeitura esclarece se a medida seria temporária ou se o tal projeto de lei acaba definitivamente com a remuneração do chefe do Poder Executivo.

Temos, em várias cidades do País, prefeitos tomando a atitude de abrir mão de seu salário. É uma atitude louvável, evidentemente, mas que deve ser discutida. Se há prefeitos em condições econômicas de trabalhar sem receber, ótimo. Mas não podemos esperar que essa seja uma regra geral. Não podemos esperar que o serviço público seja exclusividade de pessoas que podem dar-se esse luxo. A atividade de prefeito consome tempo e dedicação. Ser remunerada é mais que natural.

O prefeito de Maracajá vai além – ou diz que vai: fala em extinção dos cargos comissionados. O que só poderia ser efetivado por lei. Portanto, com aprovação da Câmara de Vereadores. Sozinho ele pode, no máximo, não ocupar os cargos. Extingui-los, jamais.

Podemos discutir longamente a existência de cargos comissionados em demasia em estruturas públicas. Mas como um servidor vai exercer alguma função de chefia, que requer muito mais responsabilidades, sem ter o título deste cargo? Sem falar, claro, no salário proporcional a essa responsabilidade.

Chama ainda a atenção de que o prefeito Arlindo Rocha enviou à Câmara de Vereadores, em seu primeiro dia útil de mandato (2/1/2017), um projeto de lei que cria o cargo de assessor jurídico do prefeito.

Seria necessário pesquisar o organograma da prefeitura de Maracajá para saber se o cargo faz-se necessário ou não. Mas o fato é que o prefeito que se anuncia como o que acabou com os cargos comissionados, na verdade, já tentou criar um a mais. No primeiro dia de trabalho, por sinal.

Nossa população está ávida por atitudes políticas que despertem esperança. O que se vê em muitos casos, porém, é o surgimento de um velho populismo do século passado, incompatível com uma era em que a informação se propaga tão rápido.

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