A morte de Cau

Não houve quem não se chocasse, na manhã de ontem, com a notícia da morte do tubaronense Luís Carlos Cancellier de Olivo, o Cau. Ainda mais pelas circunstâncias em que ela se deu: um suicídio – o que por si só já justificaria um imenso espanto –, cometido no meio da manhã de uma segunda-feira, no local de maior movimento da Capital do Estado. Cau tomou a decisão de tirar a própria vida e decidiu fazer deste gesto um ato político que promovesse a discussão sobre o que aconteceu com sua vida nas últimas semanas. Dono de uma carreira acadêmica impecável coroada com a eleição para comandar a Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), o tubaronense sentia-se humilhado e injustiçado com as decisões judiciais que lhe tiraram do convívio acadêmico e que chegaram a lhe fazer passar um dia preso. Investigado pela Polícia Federal por suposto desvio de recursos federais destinados ao custeio de cursos de ensino à distância, Cau acaba se tornando símbolo dos defensores do discurso de que a espetacularização das investigações derruba reputações e vidas antes mesmo que algo se comprove contra os acusados. Os danos causados à imagem do reitor evidentemente jamais seriam reparados, ainda que um dia houvesse a conclusão de que era inocente. Naturalmente o fato não pode desacelerar qualquer investigação, mas é preciso sim refletir se a sede de justiça a qualquer custo não pode estar causando danos sociais que homem algum pode reparar no futuro.

Deixe uma resposta