A ditadura também matou em Tubarão

A ditadura militar também matou em Tubarão. O Golpe de 1964 completa 56 anos hoje, dia 1º de abril. Em síntese, o dia da mentira é dia de relembrar um período sanguinário, que tirou a vida de mais de 400 pessoas no Brasil. Além disso, torturou inúmeras pessoas com as mais bárbaras técnicas.

O Golpe de 1º de Abril de 1964 deu início a um período de violação de direitos de muitos brasileiros que discordavam desse trágico regime. Muitas pessoas perderam a vida por lutar contra o modelo de opressão à base de violência. Por isso é preciso sempre relembrar esse triste momento em que a democracia foi golpeada. Para que nunca mais aconteça.

A lembrança do aniversário do Golpe de 64 me faz recordar de um momento muito especial da minha curta passagem pela Câmara de Vereadores, em 2017. Na ocasião, atendendo a uma proposição minha, o Legislativo convidou Andréia Daltoé, professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Unisul e integrante do Coletivo Pró-Educação, para uma exposição.

Os dados estão de acordo com as pesquisas efetuadas pelo Coletivo Catarinense Memória, Verdade e Justiça. Baseados, portanto, nos trabalhos efetuados pela Comissão Estadual da Verdade.

Separei o vídeo da apresentação, que aconteceu em 23 de outubro de 2017. A qualidade da imagem das transmissões das sessões era, de fato, bem ruim mesmo. Também não é possível acompanhar os slides e o vídeo, com depoimento da grande Derlei de Luca, que compuseram as apresentações. Ainda assim é possível compreender a exposição.

A ditadura também matou em Tubarão

A ditadura também matou em Tubarão
Divo Fernandes d’Oliveira, natural de Tubarão, desapareceu aos 69 anos e seu corpo nunca foi encontrado

Nela ocorre a citação de um fato pouco difundido: o desaparecimento de um tubaronense, sequestrado pela ditadura. Divo Fernandes d’Oliveira era marinheiro e constituiu sua família em Criciúma. Por conta do trabalho, viajava com frequência e participou do antológico Comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 13 de março 1964. Nele, o então presidente João Goulart defendeu as reformas de base.

Antes que pudesse colocar qualquer plano em prática, João Goulart teve seu mandato interrompido pelo golpe militar, dias depois. Como resultado, Divo foi preso e desapareceu da cadeia. Esse sumiço foi constatado apenas quando sua esposa, que morava em Criciúma, conseguiu reunir condições financeiras de ir visitá-lo pela segunda vez, já no ano seguinte.

O vídeo apresenta toda a apresentação, do início a fim, sem cortes. Optei por incluir as manifestações de todos os vereadores que fizeram uso da palavra. Do mais ponderado ao mais tresloucado. Dos que quiseram falar sobre mortes e torturas na ditadura aos que queriam palanque eleitoral. Vale lembrar a apresentação aconteceu quase um ano antes da eleição de 2018, em que Jair Bolsonaro foi eleito presidente. Um governo de inspirações notadamente golpistas.

As manifestações com o intuito de fazer palanque acabaram por permitir que viesse à tona o tema da corrupção na ditadura. Valeu a pena.

O corpo de Divo, preso aos 69 anos, jamais foi encontrado. Nem mesmo se identificou com clareza como a ditadura o assassinou. Que a história ao menos sirva para que sua cidade natal entenda os horrores de tempos de covardia que tanto envergonham o País.

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