A assustadora banalização do golpe

A assustadora banalização do golpe pode ser observada em Gravatal. A possibilidade de afastamento do prefeito Edvaldo Bez de Oliveira (MDB), com efeito, já é tratada publicamente e não surgiu nenhum argumento decente com o propósito de justificar um procedimento extremo como esse.

A entrevista que o vereador Soca (PP), presidente da Câmara de Vereadores, concedeu à rádio Bandeirantes hoje é assustadora. Ele defende primeiramente a rejeição das contas de 2017 do prefeito Edvaldo Bez de Oliveira (MDB) por 6 x 3. Desconheço as razões que levaram ao parecer de rejeição do Tribunal de Contas e não poderia opinar sem analisar com calma o material.

O pior, no entanto, veio depois. Soca criticou a relação do prefeito com a Câmara de Vereadores. Reclamou de declarações públicas dele e de secretários contra os parlamentares. Acusou o descumprimento de promessas de campanha. Todos os assuntos têm como resultado suas consequências políticas. Nenhum, no entanto, justifica a assustadora banalização do golpe.

A assustadora banalização e o desrespeito ao voto

A entrevista segue impressionante. O presidente da Câmara de Vereadores argumenta que o vice-prefeito Marega (PSDB) tem relação ruim com o prefeito e boa com os vereadores. E usa esse argumento para justificar a interrupção do mandato de Edvaldo!

Evidentemente isso só é possível porque houve a banalização do impeachment. Deputados e senadores resolveram arrancar a presidenta Dilma Rousseff (PT) da sua cadeira, em 2016, porque não gostavam de seu governo. Apresentaram uma argumentação fajuta para justificar o processo e tiveram êxito.

Temer ensinou e o MDB pode ser golpeado

O vice-presidente Michel Temer (MDB) tinha relação ruim com a titular e boa com o Parlamento. Ganhou, então, a faixa presidencial de presente e mostrou a todo o Brasil como se faz pra governar sem ser eleito.

Em Gravatal, Edvaldo Bez pode sentir os efeitos desse aprendizado. Edvaldo é irmão de Edinho Bez (MDB), por muitos anos colega de bancada de Temer na Câmara dos Deputados.

A assustadora banalização independe de partido

Embora tenha posições políticas claras, não conheço pessoalmente nenhum dos envolvidos. Não posso opinar sobre a qualidade do governo, tampouco sobre a relação entre Executivo e Legislativo. Apenas me assustei com a discussão sobre cassação de mandato estar sendo encarada como um desafio. Algo similar a essa assustadora banalização do golpe já havia sido visto em Laguna – mais uma vez tendo o MDB como possível vítima.

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