Crise da Unisul reacende comentários sobre “venda” da gestão

A crise financeira pela qual passa a Unisul tem ganhado contornos dramáticos para muitos de seus servidores. Neste mês, receberam o total de seus salários apenas os que ganham até R$ 1,8 mil mensais. Quem tem folha acima de R$ 6 mil ficou com 70% do valor e quem ganha mais que este valor recebeu apenas 35% – a quitação total, apenas quando houver dinheiro em caixa, sem nenhuma previsão de data. Um impacto altamente preocupante se considerarmos que a situação da universidade é publicamente delicada há muitos anos. Não faltam relatos de professores e funcionários que estão passando por grandes dificuldades, precisando recorrer a empréstimos para quitar suas contas – até porque, é bom lembrar, há muitas rendas familiares que contam com mais de um salário da universidade. No Diário Catarinense de ontem, a coluna de Estela Benetti informou que estaria sendo negociada uma parceria com o grupo Ânima Educação, que assumiria a gestão administrativa, deixando à Unisul a responsabilidade educacional. Bastou para acender o antigo alerta de que a universidade poderia ser vendida, já que essa decisão, na prática, terceirizaria toda a administração de um dos maiores patrimônios de Tubarão, entregando-o a uma empresa privada de grande porte, proprietária de grandes faculdades particulares em São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Fontes da Unisul, que não se posicionou oficialmente, negam que haja qualquer espécie de acordo firmado neste sentido, mas não descartam a possibilidade de algo nessa linha vir a ser firmado.

Venda, terceirização e parceria

Por ser uma fundação municipal, a Unisul não pode ser vendida sem uma lei autorizativa, entre outros atos normativos. A especulação sobre uma parceria que, na prática, terceirizaria o departamento administrativo, cria a possibilidade de repasse ao mercado privado do que pode ser feito sem maior debate social. É preciso que prefeitura e Câmara de Vereadores retomem urgentemente a condução da discussão.

Apoio do governo

Vale lembrar que a Unisul vive às voltas com dificuldades financeiras há muitos anos. Em 2012, foi aprovada a lei que estabeleceu o Programa de Reestruturação e Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior (Proies), que transformou R$ 230 milhões de dívidas fiscais da Unisul em bolsas de estudo – o programa se estendeu a universidades privadas e comunitárias. À época, a lei foi saudada como a salvação definitiva. Ao que parece, o problema retornou ainda maior.

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